copacabana club

Taí a capa de Tropical Splash. Sai no dia 13 de junho.

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yuck

No começo dos anos 90 um dos caras dos Pogues deu uma entrevista em que falava da sua preguiça de descobrir novas bandas. “Eu posso sair, comprar um disco dos Stone Roses e acabar adorando, mas é muito esforço para mim. Prefiro ficar em casa ouvindo Sinatra, que eu já sei que é bom”.

De fato, o garimpo de novas bandas pode ser uma atividade pouco recompensadora. Em tempos de internet, nem se fala. Não me entendam mal: bandas boas existem às pencas, mas estou falando aqui de um tipo diferente de relação. Aquela banda com a qual você se identifica imediatamente, logo na primeira audição, e que fica ali no repeat, por dias. Descobrir isso é tão raro quanto presenciar um eclipse solar.

E, para dificultar mais, depois dos 30 o seu repertório afetivo já está praticamente formado. É um clube fechado, frequentado pelas bandas que estiveram com você nos momentos importantes da sua vida. No fundo, você não quer mais gente nessa festa. Já está bom assim.

Só que aí você descobre um disco como a estreia do Yuck. E começa a considerar que, bem, talvez haja um lugarzinho para mais um.

As três maiores influências do grupo são evidentes: o My Bloody Valentine, o Teenage Fanclub e o Dinosaur Jr. – o que já rendeu à banda o apelido de “My Teenage Dinosaur”. O som é puro indie rock dos anos 90, com aquela melodia docinha, para dançar de olhos fechados, acompanhada de guitarras sujas e letras de amor. É o retorno triunfal dos shoegazers – um termo inventado pela imprensa para as bandas que tocavam olhando para os próprios pés.

Dê um desconto para a capa horrenda. Os primeiros acordes de “Get Away” já entregam o que vem a seguir: muita distorção e riffs pegajosos de guitarra. O tom continua em “The Wall”, para dar uma baixada em “Shook Down”, uma balada que podia tranquilamente fazer parte do repertório do Teenage Fanclub. “Georgia”, a melhor do disco, é embalada por um dueto entre os irmãos Daniel e Ilana Bumberg. “Sunday”, como o nome sugere, é uma canção ensolarada, cujo refrão diz “um dia você vai me aceitar de novo”. O universo do Yuck é o das paixões adolescentes, espalhadas em praticamente todas as letras do disco. O álbum fecha com “Rubber”, com mais de sete minutos de distorção e barulho, porém em ritmo lento – praticamente um manifesto da sonoridade da banda.

A verve noventista do Yuck é tão grande que a banda parece ter sido congelada em 1994 e só agora foi reintroduzida à civilização. Impressiona mais que eles sejam um quarteto de garotos na faixa dos 20 anos, e que, portanto, tinham acabado de largar as fraldas quando as bandas que os influenciaram estavam lançando seus melhores álbuns. Cabe perguntar: como estes caras ouviram esses discos? Quem jogou uma cópia do “Nowhere”, do Ride, na mão deles? De onde veio a paixão pelo “Loveless”, do My Bloody Valentine, ou pelo “Bandwagonesque”, do Teenage? E o “Where You Been”, do Dinosaur Jr.? Eles baixaram por engano?

Talvez tenha sido obra de um irmão mais velho. Quem sabe um primo. Ou então vai ver que é só o espírito do tempo, que a cada década reproduz a moda de 20 anos antes. Estamos em 2011, e o revival dos anos 90 está apenas começando.

Se for isso, começamos bem. Yuck, bem vindo ao clube.

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so beautiful or so what

Resenha que fiz do disco novo do Paul Simon, So Beautiful or So What. Saiu no PMC.

Façamos as contas: “So Beautiful or So What” é apenas o 11º álbum de estúdio de Paul Simon desde 1972 e o primeiro em cinco anos. Seus últimos trabalhos relevantes haviam sido as experiências com ritmos sul-africanos em “Graceland”, de 1986, e brasileiros em “The Rhythm of the Saints”, em 1990. Depois disso, o legado de Simon só ganhou certa luz – indireta, por sinal – quando o Vampire Weekend surgiu no meio dos anos 2000, evocando o compositor em praticamente toda nota de guitarra.

Mas se hoje em dia esse tipo de mistura musical parece comum, na segunda metade dos anos 80 não era bem assim – não no mainstream, pelo menos. Simon estava mexendo com sons ainda largamente ignorados no resto do mundo, inclusive por razões políticas – caso da África do Sul ainda regida sob a mão pesada do apartheid. Foi quase como se ele antecipasse a ideia de que uma aldeia global ia finalmente surgir, um pensamento muito em voga após a queda do Muro de Berlim e o fim da guerra fria.

Depois disso, houve um breve e mal sucedido namoro com a música porto riquenha em “Songs from the Capeman” e pronto: Simon entrou para o time dos artistas respeitados pela bagagem, mas que ninguém realmente dava bola.

Pois “So Beautiful or So What” coloca o compositor em evidência de novo. Mais que isso, o disco reposiciona Paul Simon como um artista com algo a dizer.

“So Beautiful or So What” faz um retrato do momento. Simon surge como aquele sujeito que fica só ali no canto, observando e anotando informações para fazer uma crônica do mundo ao redor. É assim em “Question for the Angels”, em que fala da falta de oportunidades em uma era de consumismo. A letra diz “o andarilho vê um anúncio com Jay-Z e duas crianças, cada qual em um de seus joelhos. Ele quer que experimentemos as roupas que ele usa”. Não tem medo nenhum de soar datado no futuro. É urgente, canta o que está na sua frente, do mesmo jeito que nos tempos da parceria com Art Garfunkel.

As sonoridades que já foram chamadas de “exóticas” estão ali, mas valorizadas por uma produção enxuta e sem firulas. A simplicidade das composições valoriza as letras, e o que vale aqui é o tom reflexivo. Simon parece consciente da própria mortalidade em cada uma das 10 faixas do disco e se abraça nessa idéia, mas não sem certa ironia. Em “The Afterlife”, por exemplo, o personagem recém-falecido não encontra nenhum sinal de Deus. Ao contrário, se vê às voltas com a burocracia celestial. “Você tem que preencher o formulário e entrar na fila”, diz.

Em “So Beautiful or So What” Simon mostra que ainda merece atenção, fazendo uma bela obra sobre o amor, a morte e a modernidade.

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tom vek

Textinho meu que saiu no Power Music Club essa semana.

Ninguém pediu, mas Tom Vek está de volta. Quem?

Tom Vek é um cantor e compositor inglês de 29 anos. Faz parte da geração do rock britânico que revelou gente como o Bloc Party e os Kaiser Chiefs. Em 2005 lançou seu único álbum, “We Have Sound”. O disco ganhou boas resenhas e Vek foi apontado como uma promessa. Só que aí ele sumiu.

A verdade é que naqueles anos a competição era duríssima. A renovação do rock inglês na década passada trazia toda semana uma enxurrada de novas bandas, enquanto a mídia se estapeava para escolher quem era a próxima grande atração. E Vek era só um moleque mirrado que curtia misturar rock com eletrônica. Ele era um proto-Beck no ano em que Beck lançou um de seus melhores discos, “Guero”. Ele não estava em uma banda. Ele não tinha o sex appeal necessário para chegar lá.

Mas em 2011 o mundo é dos nerds. É a hora perfeita para a volta de Tom Vek, e ele sabe disso. O músico lançou no começo do mês o single “A Chore”, a primeira faixa do álbum “Leisure Seizure”, que sai em junho. Após o lançamento, Tom Vek começa uma turnê pelo Reino Unido.

O seleto grupo de fãs do cantor comemorou com entusiasmo a notícia sobre o retorno – na semana passada, Vek chegou a figurar nos trending topics do Twitter. Agora, ele tem a chance de tentar conquistar uma audiência maior. Isso, claro, se não desaparecer por mais cinco anos.

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redescobrindo músicas

Em 1996 meu primeiro cd player foi pro vinagre. Na época eu era estudante e, portanto, durango. Resultado: meus cds ficaram lá empoeirando por uns bons 3 anos, e eu praticamente não ouvi nenhuma novidade até conseguir comprar um novo aparelho de som. Era o fim de 1999, uma grande época para voltar a ouvir música. Já no começo de 2000 a Bizz, depois de um período meio escroto, voltou a valer a pena. A Trama estava surgindo e tinha encampado um projeto de lançar no Brasil um monte de bandas gringas por uns preços bem acessíveis. Belle and Sebastian, Pavement, Guided By Voices, Cornelius, Willard Grant Conspiracy, Pizzicato 5, Cat Power… De repente a grana do estágio (uns 200 reais por mês, se bem lembro) ia toda para discos novos.

Mas o que mudou o jogo mesmo foi quando descobrimos esse tal programa que permitia “baixar música”. O Napster foi uma revolução. A ideia de ser possível fazer o download de uma faixa de áudio era muito estranha.

Os primórdios do compartilhamento de MP3 foram tempos heróicos. O Napster e as conexões discadas da época eram completamente precários. O máximo de velocidade que conseguíamos era uns 3 kb/s – e isso em um dia bom. Demorava uma cara para baixar uma música. E se a conexão fosse interrompida por qualquer motivo, já era. O arquivo ficava pela metade e tinha que começar tudo de novo.

Assim mesmo era uma grande novidade e nada disso nos impediu – eu e os amigos Groo, Glenio e Alexandre – de em pouquíssimo tempo formar uma invejável galeria de músicas que foram a trilha daqueles últimos anos da faculdade e, principalmente, do verão do ano 2000. Na mesma época os gravadores de CDs começaram a ficar mais populares e foi ali que as fitinhas cassetes foram devidamente aposentadas. Junto com os cds, passamos a carregar imensas CPUs para as festas em que íamos discotecar.

Depois disso a coisa só foi melhorando. Veio o Audiogalaxy, Kazaa, SoulSeek e os torrents, cada vez mais facilitando a vida de todo mundo. Mas foi o Napster que meteu o pé na porta e mudou tudo.

Recentemente achei um velho cd de becapes, cheio de MP3 compilados naquele tempo. Isso me fez lembrar de uma época em que redescobri o gosto por garimpar novos sons. Selecionei alguns deles nessa mixtape. Algumas obviedades e algumas surpresas – a trilha de uma época incrível.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR.

1. Helpless – Sugar
2. Elevate Me Later – Pavement
3. This Given Line – Electric Soft Parade
4. Here It Comes – Doves
5. Darwinism and Status Quo – Le Tigre
6. Hotel Yorba – The White Stripes
7. Lazy Line Painter Jane – Belle and Sebastian
8. I Took Her Love For Granted – Hefner
9. Perhaps Perhaps Perhaps – Cake
10. I Am a Man of Constant Sorrow – The Soggy Bottom Boys
11. Chitlins Whiskey and Skirt (The Apocalypse) – The Gone Jackals
12. Take The Skinheads Bowling – Camper Van Beethoven
13. Son of Sam – Elliott Smith
14. She Don’t Use Jelly – Flaming Lips
15. Hewlett’s Daughter – Grandaddy
16. Find My Baby – Moby
17. Stella Maris – Einsturzende Neubauten

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mofo

Minha falta de disciplina com meus projetos pessoais é impressionante. Estou com algumas ideias, porém.

To write is to suffer.

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bigode

Com o reaparecimento de Belchior encerra-se um dos grandes mistérios da história brasileira recente.

belchior

“Minha vida cigana me afastou de você.”


Foi bom enquanto durou. Agora, antes que os noticiários voltem a falar da H1N1, sugiro novas pautas envolvendo o sumiço de outros GRANDES bigodes da MPB.

Benito di Paula:

benito

“A vida é bonita sem você.”

Peninha:

peninha

“Onde está você agora?”

Simone:

simone

“Pode ir armando o coreto /  E preparando aquele feijão preto / Eu tô voltando.”

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jim flora

Mas é claro que se julga um livro – ou disco – pela capa!  Mambo for Cats, por exemplo. Nunca ouvi, mas tenho certeza que é um ótimo disco.

mambo-for-cats

Festa no apê.


Com Jim Flora, não tem erro. Confere:

bgood4

Gene-Krupa

james_flora_cow_sneezed

Gênio, claro. Mais Jim Flora aqui.

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annie

st-vincent1

st-vincent2

Annie Clark, a.k.a. St. Vincent. Sou grande FÃ.

st-vincent3

Marry Me (2007).

Não precisa perguntar duas vezes, Annie.

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young adult friction

The Pains Of Being Pure At Heart é minha nova banda favorita.

EDIT: Também é a banda mais feia desde o Yo La Tengo.

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